quarta-feira, 5 de outubro de 2016

"Isso é a democracia", diz Lula sobre a queda do PT

Folha de S.Paulo
Em um evento do sindicato global industrial, o ex-presidente Lula minimizou as derrotas sofridas pelo PT nas eleições municipais do último domingo. Em 2012 o partido obteve 644 prefeituras, atrás apenas de PMDB e PSDB, mas neste ano, o número caiu para 256, desempenho pior que o de nove siglas. O número de votos recebidos caiu de 17,3 milhões para 6,8 milhões. "Democracia é assim, em uma você ganha, em outra, você perde. Se o PT não fosse perder nunca, não teria criado um partido político", disse o ex-presidente.
"É uma disputa. Quem perdeu em 2012 ganhou agora. Quem ganhou agora pode perder em 2018, em 2022. Essa é a beleza da democracia: a alternância de poder, a troca de pessoas que governam. É por isso que tem democracia, é por isso que eu participo. Se começasse o ano já sabendo que seria prefeito ou governador, eu não participava", acrescentou.
Em seu discurso para sindicalistas, o ex-presidente descreveu o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff como um golpe parlamentar, criticou o atual governo por propostas de cortes de gastos públicos e privatizações e culpou a crise atual na situação econômica internacional.
"Toda vez que tem crise, começam a falar em cortes, perdas de direitos. Nunca se fala em reforma de aposentadoria quando a economia está crescendo, como se fosse a aposentadoria a culpa da crise. Não foi um aposentado que fez o mundo quebrar economicamente, foi o sistema financeiro mundial", reforçou, após o discurso.
Citando a PEC 241, que estabelece um teto para os gastos públicos, o ex-presidente pediu que os sindicalistas se unam contra o que ele descreve como retrocessos.
"Isso vai congelar investimento na saúde e na educação por 20 anos. Não tem melhoria se não tiver contratação de funcionários, de professores. Portanto, a luta continua para vocês, para não permitir que haja retrocesso."
Sobre propostas de privatização, o ex-presidente caracterizou o atual governo como "vendedor". "Isso deve preocupar o Brasil. Um governo que só consegue resolver as coisas vendendo é que nem marido que perde o emprego e diz para a mulher que vai vender a cama, o armário."